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Flip anuncia edição virtual

Com transmissão de mesas de autores ao vivo e outras ações,
a ideia é levar o público à experiência imersiva da Festa Literária;

Estão confirmados autores internacionais como
Bernardine Evaristo e Pilar Quintana e o brasileiro Itamar Vieira Junior

A Flip – Festa Literária Internacional de Paraty anuncia hoje a realização de sua 18ª edição, que acontecerá de 3 a 6 de dezembro de 2020, em formato virtual, pelas redes sociais, devido à pandemia do coronavírus. A programação será composta por mesas transmitidas ao vivo em plataforma própria e nas redes sociais da Festa, além de vídeos gravados, eventos paralelos e programações de parceiros. Para as mesas ao vivo, já estão confirmadas as presenças de autores internacionais como a britânica Bernardine Evaristo (Londres, 1959 – vencedora do Booker Prize 2019), a colombiana Pilar Quintana (Cali – Colômbia 1972) e o brasileiro Itamar Vieira Junior (Salvador-BA, 1979).

Este é um ano atípico, por isso optamos por este formato. A Flip Virtual contará com uma linguagem própria que respeita o sentido original e o espírito da Festa: ser mais do que um mero evento, estabelecendo uma relação duradoura e permeável com Paraty“, explica Mauro Munhoz, diretor artístico da Flip. Para isso, está sendo produzida uma série de vídeos que irão aproximar o público da cidade, trazendo o sentido mais amplo da Festa, as histórias e personagens paratienses para dentro da edição online.

Nesta edição virtual, feita em circunstâncias únicas – motivadas em grande parte pela pandemia de Covid-19 – a Flip agradece a excelente participação de Fernanda Diamant como curadora convidada da Flip 2020. A partir do trabalho iniciado por ela no primeiro semestre e encerrado em agosto, foi dado seguimento à programação internamente. Por isso, os convites oficiais emitidos pela Flip antes da eclosão da pandemia estão sendo honrados pela instituição.

Como todas as instituições ligadas às artes no mundo inteiro, o time da Flip enfrentou o desafio de uma pandemia que não faz exceções. Neste sentido, o espaço que a Flip irá oferecer para escritores e artistas é mais importante do que nunca. O nosso programa virtual, iniciado por Fernanda Diamant em sua passagem como curadora, mais uma vez trará grandes escritores de todos os cantos do planeta, com o objetivo de iluminar, agradar e unir os amantes da literatura, onde quer que estejam. Viva a Flip!” , explica Liz Calder, presidente do conselho da Flip.

A Flip Virtual também não trará nesta edição a figura do autor homenageado, devido ao momento pandêmico mundial. “Entendemos que este ano a pandemia causou a morte de artistas imprescindíveis à nossa cultura, como o escritor Sergio Sant’Anna, o compositor e letrista Aldir Blanc, o artista plástico Abraham Palatnik e a regente Naomi Munakata, entre muitos outros. Portanto, este não é um momento de celebração. Assim, não teremos um autor específico em destaque, iremos homenagear coletivamente os que partiram“, coloca.

As mesas serão transmitidas em plataforma própria e em todos os canais e redes sociais ligados à Flip. Mesmo sem a realização presencial nesta edição, estão sendo preparados encontros que qualificam a linguagem virtual em seu potencial artístico e poético, fazendo desta edição um marco de troca e experiências literárias. “Da mesma forma que incorporamos à cidade estruturas mutáveis de diferentes temporalidades e impactos, todos os anos no mês de julho, sempre de maneira respeitosa com o contexto urbano, nossas ações no meio online trarão essa permeabilidade e esse abraço ao espírito da festa, de forma orgânica, proporcionando ao público novas experiências de uso dos espaços virtuais“, afirma Munhoz.

Autores confirmados

Entre os autores confirmados desta edição está a britânica de origem nigeriana Bernardine Evaristo, que participará da mesa de abertura da festa. Com seu romance “Garota, mulher, outras”, Evaristo venceu a última edição do Booker Prize, tornando-se a primeira autora negra a receber a premiação. O livro, que será lançado no Brasil em 13 de outubro pela Companhia das Letras, retrata 12 personagens mulheres e não binárias que juntas compõem um retrato histórico – indo das colônias britânicas do Caribe à África – e contemporâneo da população negra na Grã-Bretanha. Como Evaristo diz, “o romance se insere num contexto maior dentro de seu projeto literário: construir uma história da diáspora africana”.

Bernardine Evaristo nasceu em Londres, em 1959, onde vive. Autora de oito livros, já trabalhou com diferentes gêneros, como romance, conto, poesia, ensaio e teatro, sempre abordando temas relacionados à raça, gênero e classe. Filha de uma inglesa com um imigrante nigeriano, a escritora dialoga com suas origens familiares em toda sua obra. Sua história também remonta à escravidão do povo iorubá: o avô da escritora retornou do Brasil à Nigéria, no século 19.

Professora de escrita criativa na Brunel University London, Evaristo também já fez adaptações de seus livros e escreveu programas para a rádio BBC e desde o início de sua carreira tem se posicionado politicamente. Em 2012, fundou o Brunel International African Poetry Prize, premiação para reconhecer o trabalho de poetas africanos. Em entrevista recente ao New York Times, Evaristo disse que “Girl, Woman, Other” pode ser encarado como um livro ativista: “Eu não sinto, como escritora negra britânica, que queira escrever sobre a raça humana. Minha missão é falar sobre a diáspora africana”.

Outra participante desta edição será a colombiana Pilar Quintana. Considerada uma das principais vozes da literatura contemporânea da Colômbia, Pilar teve recentemente o seu A Cachorra anunciado na lista estendida do prestigioso National Book Award, na categoria de literatura traduzida. O livro ganhou e foi finalista de dois dos maiores prêmios literários do seu país de origem em 2018 e será publicado no Brasil pela editora Intrínseca no dia 10 de novembro. Pilar também é autora de outros três romances e um livro de contos.

Traduzido para mais de dez línguas, A Cachorra gira em torno de Damaris, uma mulher que, chegando aos quarenta anos, adota uma cachorra e a batiza com o nome que gostaria de ter dado à filha que nunca pode ter. O ponto central da história é a maternidade, mas grande parte de sua força vem do cenário em que ela se passa: a pobre e selvagem costa do oceano Pacífico colombiano, onde a própria escritora viveu durante anos. Nascida em Cali, ao sul de Bogotá, em 1972, no começo da carreira, trabalhou como roteirista e redatora de publicidade, mas antes de completar 30 anos decidiu viver outra vida. Viajou por três anos pelo mundo até voltar para a Colômbia e se fixar em Juanchaco, um vilarejo da costa do Pacífico colombiano, onde construiu sua casa em um local que não tinha eletricidade ou água encanada.

A escritora viveu por nove anos nessa região bela, mas desolada, majoritariamente de população pobre e negra, e esquecida pelo poder público – em contraste com a costa caribenha do país. Segundo Quintana, foi um período intenso de sua vida em que teve de batalhar pela própria sobrevivência, contraiu leishmaniose e malária, mas em que também foi reconhecida como uma das principais escritoras colombianas de sua geração.

Enquanto esteve em Juanchaco, a autora escreveu sobre suas experiências em Cali. Agora, vivendo em Bogotá, começou a revisitar seu período na costa do Pacífico ao mesmo tempo em que reflete sobre sua vida atual. Mãe aos quarenta anos, como a protagonista de A Cachorra gostaria de ter sido, Quintana conta que escreveu o romance inteiro no celular, enquanto amamentava seu filho. Em 2007, foi eleita uma das 39 vozes de destaque da literatura latino-americana com menos de 39 anos, no Festival Hay de Literatura e Artes, do País de Gales.

O terceiro nome confirmado é o do escritor Itamar Vieira Junior. Autor de Torto Arado, livro vencedor do Prêmio Leya de 2018, de Portugal, e lançado no Brasil pela editora Todavia em 2019, o escritor prepara para o ano que vem um livro de contos, que inclui textos inéditos.

Itamar Vieira Junior nasceu em Salvador, em 1979. É geógrafo e doutor em estudos étnicos e africanos, com pesquisa sobre a formação de comunidades quilombolas no interior do Nordeste brasileiro, pela Universidade Federal da Bahia (UFBA), onde também concluiu mestrado. A participação dos autores nesta edição conta com o apoio e parceria das editoras citadas.

 

Fonte: http://www.flip.org.br/

 

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